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Em ano de contrastes, Alonso pondera sobre futuro, promete decisão após férias e avisa: “Não sei se vou continuar na F1”
Publicado em 29/06/2018

O bicampeão do mundo, reconhecido como um dos pilotos mais completos do seu tempo, não vence uma prova desde o GP da Espanha de 2013, portanto há mais de cinco anos, e vive uma fase de poucos prazeres dentro das pistas. Não à toa, passou a vislumbrar novos horizontes para sua carreira e desbravou fronteiras ao disputar as 500 Milhas de Indianápolis e aceitar o desafio de fazer o Mundial de Endurance pela Toyota, o que já lhe proporcionou a segunda coroa com a vitória nas 24 Horas de Le Mans. Contudo, sua jornada pouco exitosa na F1 o faz considerar se vale a pena de fato continuar no grid do Mundial.
Em entrevista à emissora espanhola de rádio ‘Cadena Cope’, Alonso revelou o que já era ventilado há muito tempo: o asturiano de 36 anos pode, sim, fazer em 2018 sua última temporada na F1. A decisão, seja pela sua permanência ou saída do grid, deve ser tomada por volta de setembro, quando se encerra o verão na Europa, pouco depois das férias da F1 durante o mês de agosto.
“Não sei se vou continuar na F1. É uma decisão que vou ter de tomar. Não tenho nada decidido, tampouco planejado. Estou há 17 anos me entregando diariamente e sei que percorri grande parte deste caminho. Quando deixá-lo, quero fazê-lo me sentindo bem. Não sei se vai ser neste ano ou dentro de alguns”, declarou o piloto da McLaren, que terminou o primeiro treino livre do GP da Áustria apenas em 17º nesta manhã de sexta-feira (29).
“O mais importante é curtir e me sentir útil, trazendo alguma coisa extra ao carro ou à equipe, sentindo-me protagonista de como as coisas se desenrolam. Se você perde isso, é difícil continuar. Do contrário, há desafios atraentes para o futuro: a Tríplice Coroa, as 500 Milhas de Indianápolis... Quando passar o verão e contemplar todos os possíveis passos que possa dar, então vou tomar a melhor decisão pensando no bem da minha equipe e dos fãs”, salientou.
Novamente, Alonso põe como grande meta o desejo de alcançar a glória como um piloto completo ao vencer as três mais clássicas e importantes corridas do automobilismo mundial. A coroa pelos triunfos no GP de Mônaco de F1 e das 24 Horas de Le Mans Fernando já tem. Agora, resta o desafio com a conquista da Indy 500.
Alonso lembrou que não tem chances reais de lutar por vitórias ou menos por pódios, em condições reais, com o carro que tem. Contudo, o piloto evitou se queixar da McLaren e ressaltou a melhora em termos de pontuação e colocação na comparação com a temporada passada, quando a escuderia de Woking fechou o Mundial de Construtores em nono lugar e somou apenas 30 pontos. Neste 2018, em oito corridas, o time está em quinto e já tem 40 tentos.
“A única coisa que posso dizer é que estamos tendo um ano razoavelmente bom, apesar de não poder lutar por vitórias e pódios. Diante de toda a parte negativa, o ano passado, nesta altura do campeonato, estávamos zerados, tínhamos abandonado todas as corridas, e agora estamos em quinto no Mundial de Construtores. Todo mundo faz finais de semana espetaculares e estão quase todos atrás de nós. Portanto, estamos fazendo algo de bom”, amenizou.
“É difícil saber quando vamos ter um carro para estar lá no topo. É difícil que a F1 mude de um fim de semana para outro. Talvez tenha a chance de fazer um pódio, sempre pode haver uma surpresa em uma corrida louca. Temos de estar lá para aproveitar”, complementou o bicampeão.
Por fim, Alonso lembrou que vive um ano de contrastes com as vitórias no Mundial de Endurance em Spa e Le Mans — ao lado de Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima pela Toyota — e de frustrações pela F1. Um sabor agridoce, definitivamente. “O WEC tem dado certo. Há um contraste com esses resultados, de saborear vitórias a cada vez que estamos no Mundial de Endurance e, a cada vez que estamos na F1, voltamos à realidade, de ficar em oitavo, mas não somos os últimos”, finalizou Alonso, enquanto reflete sobre o futuro da sua carreira.