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Gari com mais de 100 piercings se destaca no Parque Municipal de Belo Horizonte: 'eu fiz a moda'

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Gari com mais de 100 piercings se destaca no Parque Municipal de Belo Horizonte: 'eu fiz a moda'

Logo antes de a entrevista começar, uma adolescente se aproxima e pede uma selfie para Margareth Maria da Silva, a gari que tem mais de 100 piercings. Sentada em um banco do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro de Belo Horizonte, a mulher de 64 anos retribui o reconhecimento: “De nada, às ordens. Bom proveito com a foto, viu, moça”.

Vestida com o uniforme laranja e com um boné do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), a gari se destaca entre as colegas em meio ao verde do parque com seus mais de 100 piercings coloridos espalhados pelo corpo. Além dos brincos, Margareth traz nos dedos anéis dos mais variados estilos e longas unhas pintadas de preto, branco e verde. A mulher também usa no pescoço ao menos cinco colares.

Aos 8 anos, a gari viu um filme em que uma índia se furava. Ela se inspirou e fez sozinha todos os seus piercings de uma vez. “Aí que vi a moça enfiou um, enfiou um aqui e outro ali. Eu fiquei doida pra agradar a minha mãe, e estrepei todinha de espinho. Espinho, porque eu não conhecia esse negócio. Espinho de laranjeira e coqueiro e bambu”, contou.
A reação da mãe dela não foi das mais entusiasmadas e a menina sofreu as consequências. “Minha mãe não gostou, quase me matou de vara de marmelo. O coro dela doeu. Mas isso não doeu não”, contou a gari, referindo-se aos brincos.

Margareth Maria da Silva disse que nunca teve problemas com os acessórios. Segundo ela, os piercings nunca inflamaram. A gari falou, no entanto, que precisa trocá-los eventualmente, quando os brincos enferrujam.

Gari com mais de 100 piercings se destaca no Parque Municipal de Belo Horizonte:

Natural do Serro, cidade da Região Central de Minas Gerais famosa pela produção de queijos artesanais, Margareth se mudou para a capital mineira pouco depois de completar 8 anos. A gari faz questão de pontuar que foi ela quem lançou a moda do piercing em Belo Horizonte.

“Todo mundo está usando. Está tudo me acompanhando. Aqui em Belo Horizonte eu fiz a moda. Eu que fiz a moda. De tanto eles me verem por aí, ou também de ver fotografias minhas em algum lugar, em qualquer lugar por aí, aí aconteceu. Está todo mundo me acompanhando e eu estou feliz agora. Porque agora ninguém pode me julgar. Não é só eu que estou assim”, gaba-se Margareth.

Hoje, ela diz que se sente orgulhosa em ver tantas pessoas usando piercings. A gari também falou que tem alguns fãs por causa do seu estilo.
“Nossa senhora. Eu até tenho de correr. Se eu entro num bar, não gosto nem de entrar, porque quando eu entro num bar, está todo mundo sentado na mesa, que um olha prum lado e vê. Ah bom, de repente levanta tudo e rodeia tudo em volta de mim. Então eu sou feliz assim mesmo, do jeito que eu sou”, comenta.

Gari com mais de 100 piercings se destaca no Parque Municipal de Belo Horizonte:

Mãe de sete filhos, a gari já tem 40 anos de “varredeira” na SLU. Ela faz questão de dizer que não brinca em serviço. “Essa banda dali pra lá tudo, essa quadra, esses trem aqui a fora, quem faz sou eu. Ali tudo. Quem faz sou eu. Essa banda aqui é minha. Quando eu pego serviço eu faço rapidinho”, falou, indicando com o dedo a área sob sua responsabilidade.

Margareth conta que gosta de trabalhar no parque e ficar perto dos “macaquinhos”. Segundo a gari, a paisagem é “boa demais”. Ela só se queixa dos mosquitos. “Eu tenho medo, porque pode ser ele e pode ser o outro. O outro pernilongo que adoece a pessoa, né”, destacou a gari, ao falar do Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças graves, como dengue, febre amarela, zika e chikungunya.

A gari não retira os piercings e diz que chegaria atrasada ao trabalho se tivesse que colocá-los todas as manhãs. “Se eu for mexer com esse trem aqui eu não apareço no serviço”. Ela dorme, acorda e toma banho com os acessórios. “Não atrapalha nada. Só que eu lavo com bucha, porque com unha eu não posso”. A gari parou de contar os piercings quando chegou aos 111. Hoje, ela diz que não pretende colocar mais. “Já tenho muito”.

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