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Rambo: Até o Fim (2019): amarga despedida

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Rambo: Até o Fim (2019): amarga despedida

Poucas vezes na história do cinema um personagem se tornou tão icônico quanto o que ele representa. A exemplo disso, Clint Eastwood imortalizou o tipo durão de olhos cerrados, com a pistola sempre em punho. Por sua vez, Woody Allen elevou o sujeito falastrão, com ar pacato, mas de inteligência ímpar. Já Sylvester Stallone criou o tipo musculoso, praticamente imortal, que consegue resolver qualquer problema. Como tudo na vida tem um fim, chegou a hora deste último se despedir do público em “Rambo: Até o Fim”, sua derrocada sangrenta.

Agora John Rambo vive no rancho no qual nasceu. Trata-se então de um filme da franquia passado, como no primeiro, nos Estados Unidos – e aqui sua terra natal entoa o simbolismo de conclusão de uma saga. Por isso, enquanto cuida da terra e de seus cavalos, a silhueta sempre tensa do justiceiro e ex-militar parece finalmente ter encontrado sua paz, transformando sua constante sede por vingança em uma tormenta pontual que o leva a seus costumeiros devaneios. Contudo, apesar de seu tempestuoso passado, agora Rambo permanece dócil, cuidando da única família que lhe resta. 

Rambo: Até o Fim (2019): amarga despedida

No entanto, para Rambo, o passado jamais o permite relaxar, o que significa que a violência fica à espreita de sua vida. Aqui, após os acontecimentos de Rambo IV, de 2008, os dez anos de sua história se passaram pacificamente, até que a filha de alguém que foi muito querida em seu passado é sequestrada (Yvette Monreal, como Gabrielle). Considerado como tio da jovem, sua sede por vingança ganha espaço quando, apesar de perceber o peso da idade, o justiceiro parte em busca de recuperá-la e levá-la de volta ao lar. Para isso, não há fronteira entre Estados Unidos e México que possa impedi-lo.

Levado às telonas com o mesmo carinho que o ajudou a construir sua carreira por tantas vezes, este filme conta mais uma vez com a presença de Sylvester Stallone como grande responsável por esta jornada. Dirigido por Adrian Grunberg, que finalmente está ganhando espaço como diretor depois de tanto fazer como assistente de direção, a ação aqui é tão equilibrada quanto surpreendente. Por se tratar de um filme de despedida, em alguns momentos a carga dramática soa superficial, quando deveria ganhar organicidade junto ao adeus de tão querido personagem. 

Rambo: Até o Fim (2019): amarga despedida

Grande parte dos problemas deste filme se deve pela estrutura falha do roteiro, que decide seguir por um caminho inédito abrindo novos arcos ao invés de fechá-los. Com isso em mãos, o personagem de fato encontra um final de arco ideal, após cinco filmes. Porém, a inserção de novos personagens para, então, descartá-los torna a experiência do espectador frustrante, pois não há apego emocional em relação a Gabrielle e Maria (Adriana Barraza), a não ser a tentativa de interpretação da primeira e a carga dramática da segunda, já veterana. Ainda assim, não conseguem fazer muito em cena.

Por sua vez, o próprio Rambo destoa do restante de sua jornada. Apesar de haver autenticidade ímpar no que Sylvester Stallone faz com um de seus ícones criados para o cinema, há uma falha do roteiro em tentar transformá-lo em alguém conformado com a natureza da violência. Seguindo o estereótipo do sujeito que se transforma em anti-herói após tanto sofrer perdas pessoais, aqui ele é potencializado, ganhando cenas típicas de filmes “gore” nos quais a violência é o propósito e a natureza da ação.

Rambo: Até o Fim (2019): amarga despedida

Este é o filme de despedida que acerta por ser puramente nostálgico, além de conter cenas de ação que somam a este ícone cinematográfico, elevando Stallone como um dos responsáveis pelo que o cinema de ação se transformou nos últimos quarenta anos. Porém, a execução é falha da estrutura do roteiro à forma com a qual determinados momentos soam artificiais – justamente o drama que tanto poderia servir de base para esta despedida. Em suma, uma despedida com o amargo e ferroso gosto de sangue.

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